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Pelo menos não somos espanhóis

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08.06.2026

Estava eu a seguir a novela Madrid-Mourinho-Benfica quando o telemóvel vibrou com uma notificação sobre natalidade, ou a falta dela. Fechei-a. Voltei às eleições dos Blancos. A certeza instalou-se, tranquila: isto há-de resolver-se. Os países desenvolvidos têm destas fases. Somos o melhor país do mundo. E, na dúvida, pelo menos não somos espanhóis. A natalidade? É um caso isolado. De resto, estamos catitas.

Comecemos pelo talento. O talento português voltou da digressão pelo mundo fora. Afinal de contas, o Passos já cá não anda. Como? Partiram 65 mil no ano passado. Voltaram 20 mil. Quase um terço dos portugueses entre os 15 e os 39 anos já cá não está, mais de 850 mil, com a fatia de diplomados a crescer. O Programa Regressar atraiu quatro mil regressos em quatro anos. Quatro mil? É uma política pública ou é um grupo de WhatsApp? Pelo menos não somos os americanos, que fogem do Trump aos magotes e descobriram que Lisboa é a nova São Francisco, mais bonita e com melhor comida.

Quanto à educação, é uma paixão, bem sabemos que as pessoas não são números. Parque Escolar. Universidades por todo o lado, mestrados em barda, rankings, acreditações internacionais. Nunca tivemos tantos doutores. Uma economia do conhecimento. Como? Os doutores que fabricamos são precisamente os 850 mil que emigraram com o diploma debaixo do braço. A escola pública funciona no intervalo das birras da Frenprof? Os salários dos professores são miseráveis? O público perde professores para o privado e o privado perde-os para o estrangeiro? Pelo menos não somos a Finlândia, onde ser professor é uma das profissões mais........

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