menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Estados Unidos da América

12 0
yesterday

Durante uma semana, Portugal acompanhou a “democracia” brasileira como quem segue uma novela das nove. O enredo prometia. Depois, o governo predilecto de Bruxelas mandou a polícia ao Tribunal Constitucional de Varsóvia, e a atenção virou-se para a Polónia. Amanhã é a vez dos americanos. A SIC Notícias passará a noite de terça-feira a torcer contra o homem laranja. Do lado de lá, ninguém vai sequer encolher os ombros.

Para Washington, Portugal é pouco mais do que uma pista no meio do Atlântico. O que lhes vendemos representa tão-somente 17 cêntimos por cada 100 dólares que a América compra ao mundo. Acresce que nós não morremos de amores pelos americanos, e eles mal sabem que existimos. Ainda assim, com este valor irrisório, são eles que nos deixam o maior excedente comercial de qualquer parceiro: quase 3 mil milhões de euros por ano. Praticamente uma TAP inteira, todos os anos. Mas excedentes, pelos vistos, não dão manchete.

Manchete, essa, dá Trump. As intercalares são um referendo ao Presidente, mesmo sem ele ir a votos. O sistema americano parte de um pressuposto muito útil, o de que quem governa é tão falível como quem é governado e, por isso, deve prestar contas. E a Trump não lhe faltam razões para se preocupar. A guerra com o Irão, que a maioria dos americanos considera um erro, está a revelar-se um desastre, e até Tucker Carlson, que fez campanha por ele, veio pedir desculpa por ter enganado os eleitores.

Quem tem de voltar às urnas de dois em dois anos tem menos incentivo para inventar inimigos, alimentar guerras políticas ou passar o tempo a demonizar quem pensa de maneira diferente. Fica-nos uma lição que bem poderíamos aprender. Por cá, a política é um jogo de soma nula. Vota-se contra alguém, e os partidos vivem entrincheirados, mais preocupados em travar o avanço dos outros do que em fazer avançar o........

© Observador