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De Churchill da Europa a Kim Jong-un de Moncloa

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03.08.2026

Mais de sessenta mil pessoas entraram em território europeu esta semana, contornando a fronteira que separa Marrocos de Espanha. Enquanto milhares dos que chegaram mergulhavam Ceuta no caos e levavam as autoridades locais ao limite, pelo menos setenta e dois morreram na travessia. No mesmo sábado em que a Guarda Civil ainda recolhia corpos das águas de Ceuta, o Ministro do Interior espanhol subiu a um pódio e chamou a Marrocos “sócio absolutamente fiável“. Vinte e quatro horas antes, na mesma conferência de imprensa em que classificou a invasão como “um ataque à integridade territorial de Espanha“, o próprio Pedro Sánchez, a quem uma cronista do Público apelidou em Abril de Churchill da Europa, tinha chamado a Marrocos “um país vizinho e um país aliado” e descrito a interlocução com Rabat como “constante, fluida e muito, muito razoável”. As duas frases saíram da mesma boca, no mesmo dia. Horas depois, publicou no Instagram um vídeo sentado num sofá branco de Moncloa, telemóvel na mão, a sorrir, a recomendar a banda sonora do seu Verão. Os factos, nesta história, não precisam de comentário. A comparação com Churchill morreu no próprio dia em que foi escrita.

Enquanto esta invasão ocorria, a Embaixada de Marrocos em Madrid recebia a sua habitual recepção pela Festa do Trono, com o Ministro da Agricultura, Luis Planas, antigo embaixador em Rabat, em representação do Governo espanhol. O Ministro do Interior e a Ministra da Inclusão, ambos previstos na agenda oficial, cancelaram a presença à última hora, provavelmente para evitar o custo político de aparecerem numa celebração enquanto Ceuta ardia. A fronteira que cedia não era apenas espanhola. Era a fronteira externa da União Europeia. Bruxelas permaneceu inicialmente paralisada perante o colapso de uma ilusão estratégica: durante anos confundiu dependência com parceria. Marrocos transformou o controlo migratório numa arma política. A União descobriu, demasiado tarde, que quem controla a fronteira dita também os termos da negociação. Só quando a dimensão da crise tornou politicamente impossível continuar calada é que vinte e dois dos vinte e sete líderes da União exigiram uma cimeira de emergência e a Itália suspendeu temporariamente Schengen com Espanha. Mas uma fronteira externa da União abandonada por........

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