Bruxelas subsidia. Xangai fabrica. O hidrogénio fica-se
Em Sines, cortou-se uma fita. Houve microfone, houve bandeira azul com estrelinhas amarelas, PRR no panfleto, Portugal 2020 na moldura ao lado e Portugal 2030 a aquecer no banco de suplentes. Falou-se de liderança, de mudança e de futuro. E houve a promessa, alardeada pelo secretário de Estado de turno, de que Portugal exportaria hidrogénio verde para meio continente. Isso foi em 2022. Desde então, o corredor de exportação para Roterdão morreu em Outubro de 2023, sem anúncio, apenas uma linha da Engie, confirmando aos jornais especializados que a falta de regras claras e a ausência de infra-estruturas suficientes tinham enterrado o projecto. A meta de arranque da unidade da Galp, prevista para 2025, passou para a segunda metade de 2026 por falta de uma linha de alta tensão que ainda nem entrou em avaliação ambiental. A próxima meta já nasce adiada.
Vendido como a salvação industrial de Portugal e da Europa dependente das energias fósseis, o hidrogénio verde continua a ser, para já, um tigre de papel. Não por incapacidade tecnológica, mas porque o Estado, de mãos dadas com a UE, preferiu anunciar uma indústria antes de criar as condições para que ela existisse. Em compensação, despejou milhares de milhões na electrificação, ao ponto de chamar “verde” a um automóvel cuja bateria nasceu a queimar carvão chinês, percorreu vinte mil quilómetros até um concessionário em Sintra e continua sem uma resposta convincente para o seu fim de vida.
Sim, o hidrogénio perde para a bateria na eficiência energética por quilómetro percorrido, uma vez que exige três conversões sucessivas de energia. Acontece que a eficiência energética é apenas uma parte da equação. No transporte pesado e nas frotas urbanas, a realidade é diferente. Um autocarro eléctrico exige longos períodos de carregamento, reduzindo a disponibilidade de um activo que deveria passar o máximo de tempo possível na estrada. É por isso que muitas empresas concentram o carregamento durante a noite, quando os veículos deveriam estar a ser inspeccionados e sujeitos a operações de manutenção. O problema é que um veículo ligado à corrente não deve nem pode, por razões de segurança, ser intervencionado. O carregamento compete, assim, pelo mesmo tempo........
