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E se ela ganhar?

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E bruscamente, neste Verão, o tribunal da Relação de Paris tornou pública a sentença, algo ambígua, que reabriu a porta à candidatura de Marine Le Pen à eleição presidencial da próxima Primavera.

A acção judicial contra Le Pen por “desvio de dinheiros públicos” tinha vindo a ser profusamente anunciada e comentada com catónico escândalo e severidade na comunicação social. Dir-se-ia que a fundadora e ex-líder do Rassemblement National, que tem como uma das suas bandeiras a luta contra corrupção, se teria locupletado pessoalmente com dinheiros públicos.

Ora o crime em que Marine efectivamente incorreu – a atribuição a funcionários do partido de um falso estatuto de assistentes parlamentares dos eurodeputados para efeitos de pagamento de salários –, sendo uma prática ilegal, não deixa de ser comum a vários partidos franceses e europeus. Tanto que pelo menos dois outros partidos franceses, o MoDem, do centrista François Bayrou, e o La France Insoumise, do esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, são réus da mesma falta; embora, diz o Le Point, a justiça francesa tenha feito vista grossa à prevaricação de Mélenchon.

Mas é assim mesmo: juízes bons são os que decidem contra Trump, invalidam eleições em que a extrema-direita está à frente, como na Roménia, ou dificultam a vida a Marine Le Pen; juízes maus são os que, não o fazendo, se revelam cúmplices da “cabala montada pela extrema-direita” para “pôr em perigo a democracia”.

Como solução alternativa ao seu possível banimento da campanha, Marine Le Pen e o Rassemblement tinham posto de pé a solução Jordan Bardella, o jovem líder do partido, também com boas sondagens.

Poderá a História repetir-se?

Agora, com a teimosia e a tenacidade de sempre,........

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