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90 anos depois da Guerra de Espanha

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23.07.2026

A Guerra Civil de Espanha começou há 90 anos.  Foi no dia 18 de Julho, ou, mais precisamente, no dia 17, em Melilla, no Marrocos espanhol, precipitada por um evento fortuito e inesperado que até teve por protagonista um compatriota nosso, sargento do Tercio.

Por cá, na efeméride, confundiu-se o fundador e chefe da Falange, José António Primo de Rivera, com o pai, o general Miguel Primo de Rivera.  E chamou-se ditador a José António, que não ditou coisa nenhuma, até porque esteve preso desde Março e foi fuzilado em Alicante em 20 de Novembro de 1936.

Mas já se sabe que, tanto na inteligência artificial como na estupidez natural, a ideologia e a paixão partidária cegam, e em todas as histórias, e notoriamente nestas da Guerra de Espanha, há “maus” muito maus – as direitas – e “bons” muito bons – as esquerdas.  E, claro, há, de um lado, violência admissível, romântica, compreensível, e, do outro, violência inadmissível, desumana, crua, produto de pura maldade.

Na Guerra Civil de Espanha, a violência começou por ser da “romântica e compreensível”; e começou bem antes do levantamento militar de 18 de Julho, quando as esquerdas, logo a seguir à hoje discutível e discutida vitória eleitoral de Fevereiro-Março de 1936, começaram a ocupar “latifúndios”, a queimar igrejas e a matar padres.

Ora, na versão “correcta”, a violência generosa, humanitária e progressista da Esquerda acordou o tradicional egoísmo puramente malévolo das resistências à Direita.

A unidade da Esquerda resultava de uma convergência de forças políticas várias – um grande partido socialista radicalizado, os também numerosos anarquistas, um pequeno, mas disciplinado partido comunista, separatistas catalães e bascos e republicanos burgueses de esquerda.

Na Direita, havia igualmente uma colecção de tendências e movimentos: católicos da CEDA, monárquicos, divididos entre carlistas tradicionalistas (com o forte feudo de Navarra) e borbónicos liberais; e falangistas, nacional-sindicalistas que encarnavam o que de mais próximo havia do fascismo italiano – embora Mussolini e a Itália tivessem uma relação privilegiada com os carlistas, e não com os falangistas. E, claro, o núcleo militar conspiratório, a funcionar há algum tempo, também com diversas........

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