Oiçam as palavras de Pedro Passos Coelho
Nestes tempos em que a forma vale mais do que o conteúdo, em que as fofoquices e os dramas dignos de telenovela ocupam o espaço mediático, a ruptura teatral entre Gabriel Mithá Ribeiro e André Ventura dominou as notícias de sexta-feira, 17 de Outubro, data em que foi publicado o artigo de opinião do ex-deputado. Uns rejubilavam com as palavras de Mithá Ribeiro e comentavam a personalidade do líder do Chega, apresentando André Ventura como um déspota — reencarnação de Valentiniano III — que apunhala as figuras do partido capazes de lhe fazer sombra, à semelhança do dito imperador romano que assassinou Aécio — o general vencedor de Átila nos Campos Cataláunicos, receando que este lhe usurpasse o trono. Outros viam, pelo contrário, em Mithá Ribeiro um traidor rancoroso, qual Coriolano na peça de Shakespeare que, após salvar Roma dos Volscos, se alia a estes para a conquistar, sentindo-se ele próprio traído pelo Senado, pelo povo e pelo sistema democrático da República Romana — sendo, nesta alegoria, os Volscos a comunicação social portuguesa.
Não sei quem tem razão. Penso que, como quase sempre, a verdade estará algures no meio. Imagino que André Ventura tenha uma personalidade difícil — como tantos líderes políticos costumam ter —, mas não o posso afirmar, visto que não o conheço.
Reconheço, contudo, que existem de facto algumas figuras sem qualquer qualidade intelectual que rodeiam Ventura (como em qualquer partido) e que, por receio de perderem uma fonte de rendimento que de outra forma — pela ausência de qualidades intelectuais, sociais e éticas — nunca conseguiriam assegurar, tornam a vida impossível a quem procura elevar o nível do partido. Por outro lado, concordo com muitos que comentaram, e bem, que Mithá Ribeiro deveria ter guardado o seu rancor para si e feito um período de “nojo”, pois não fica bem a um homem que, meses antes, escrevera um artigo a bajular André Ventura de tal modo que até os próprios militantes do Chega o consideraram excessivo (e tudo o que é excessivo perde valor), atacá-lo depois com tamanha brutalidade. Se tivesse sido nomeado ministro-sombra, teria escrito este artigo? Não me parece. Terá sido injusto não o escolher para essa função? Mais uma vez, não sei.
Conhecendo, porém, a obra de Alexandre Franco de Sá, escolhido no lugar de Mithá Ribeiro, posso, pelo contrário, afirmar........
