O que esperar da rentrée política?
Temos o prazer de começar a rentrée política em grande, com uma moção de censura do Chega ao Governo. Que emoção! Os meios de comunicação não falaram de outra coisa. Claro que o comportamento do MAI devia preocupar-nos – sobretudo a sua arrogância durante a conferência de imprensa. Há muitas suspeitas, demasiadas. Será a moção de censura justificada? Digamos que o comportamento do MAI, a atitude do Primeiro-Ministro, bem como das lideranças do PSD, não ajudaram…
Contudo… Será esta moção de censura assim tão importante? Ou não fará tudo isto parte de um circo político-mediático com que os nossos políticos e jornalistas têm o prazer de nos inundar de tempos a tempos? Se o Governo cair, claro que esta se torna importante. Contudo… mesmo que o Governo PSD caia, para além da vida dos políticos profissionais e dos membros da alta burguesia de Lisboa (que conseguem os bons tachos), será que a vida dos 11,4 milhões de habitantes vai mudar para melhor? Será que isto tudo ainda faz sentido? Não serão estes casos e casinhos, esta arrogância de certos membros da “elite”, esta impunidade que grassa nas classes dirigentes, antes um claro sinal de que a III República está gangrenada? Algo cheira mal neste regime. Diria antes: algo cheira mal nesta época… Que “fin de règne” patético. Já Karl Marx dizia que a História se repetia sempre duas vezes: a primeira enquanto tragédia, a segunda enquanto farsa. O final da Primeira República foi uma tragédia (miséria, violência, golpes, etc.). O final da Terceira República é uma farsa.
Consequentemente, quando me perguntam o que espero da rentrée política portuguesa, costumo dar a mesma resposta há pelo menos 10 anos: pessoalmente, não espero nada. Não espero nada a não ser casos e casinhos, polémicas e compadrios, corrupção e mediocridade. Simplesmente porque somos governados por pessoas que, não todas, mas na sua maioria, são incompetentes, sem capacidades para governar um país desenvolvido (por quanto tempo seremos um país desenvolvido?) e que apenas anseiam entrar na política não para engrandecer o país, mas sim........
