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A face oculta do Narcisismo

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29.09.2026

Há uma imagem que a mitologia grega nos legou e que a psiquiatria, séculos depois, simplificou: a de um jovem debruçado sobre a água, hipnotizado pelo próprio reflexo, incapaz de amar senão a si mesmo. É uma imagem de excesso, de brilho e de vaidade insaciável e é, também, uma imagem incompleta. Porque o narcisismo clínico, aquele que os psiquiatras encontram com mais frequência nos seus consultórios, não se parece sempre com Narciso. Parece-se mais vezes com alguém que baixa os olhos, que evita o centro das atenções, que se apresenta como modesto, talvez até como frágil. E as pessoas também o podem encontrar nas suas relações.

Duas faces, uma só moeda

A investigação em personalidade distingue hoje, com razoável consenso, dois grandes eixos do narcisismo: o grandioso e o vulnerável. O primeiro é o que a cultura popular reconhece de imediato, a exibição, a sedução, o à-vontade em ocupar espaço, a convicção da própria superioridade. O segundo é mais discreto e, por isso mesmo, mais insidioso: manifesta-se em pessoas retraídas, hipervigilantes, desconfiadas, que aparentam humildade mas nutrem, por dentro, uma sensibilidade extrema à crítica e uma fome de reconhecimento que jamais confessam. Ambos partilham uma raiz comum, um défice de afabilidade, aquilo que a psicologia da personalidade designa por antagonismo interpessoal, uma dificuldade genuína em confiar no outro e em colocar-se ao seu serviço. Divergem, no entanto, num ponto decisivo: enquanto o........

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