Partidomania e a maioria defunta
Nas últimas semanas, o Ministro Adjunto e da Reforma do Estado, professou repetidamente a aspiração – ou antes: a certeza – da vitória por maioria absoluta da Aliança Democrática nas próximas eleições legislativas. Compreendo que uma das matérias tuteladas por um ministério cujo propósito é reformar o Estado português seja um optimismo benignamente irresponsável e um namoro acalorado com horizontes utópicos. Há não muito tempo, o Ministro foi fotografado a cumprimentar futuristicamente um robô e estas recentes declarações devem ser entendidas como um gesto inspirado no mesmo espírito de risonho vanguardismo.
Os factos estão contra o Ministro e o facto contemporâneo característico da política portuguesa é o declínio inexorável do centro político. Quero dizer com centro político, independentemente de quaisquer controvérsias sobre desvios esquerdistas ou direitistas ocasionais, o PS e o PSD. Considerem-se tão só os últimos vinte anos volvidos desde a famigerada eleição de 2005, em que os dois partidos reuniram cerca de 74% da votação, e compare-se esta quota de mercado com os resultados de 2024 e de 2025, em que recolheram apenas 56% e 54% de todos os votos.
Este declínio é consequente da ascensão da mania dos partidos. Os portugueses descobriram que se podia fundar novos partidos e que estes partidos podiam, muito........
