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A propósito das altas sociais

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Há alguns anos, o País começou a tomar consciência de uma realidade que, embora não seja nova, tem vindo a assumir uma dimensão cada vez mais preocupante: a existência de Pessoas que permanecem internadas nos hospitais apesar de terem alta clínica, simplesmente porque não dispõem de condições familiares, sociais ou logísticas que lhes permitam regressar ao seu meio habitual.

São, muitas vezes, Pessoas que vivem sós ou que não dispõem de uma rede familiar de apoio estruturada, em situações de fragilidade económica e social e, não raras vezes, com problemas de natureza neurológica ou cognitiva associados.

Num País em acelerado processo de envelhecimento, estas situações tenderão a aumentar, colocando uma pressão crescente sobre o Serviço Nacional de Saúde. A ocupação prolongada de camas hospitalares por razões exclusivamente sociais representa não só um custo elevado para o sistema, como também impede que essas camas sejam utilizadas por Pessoas que efetivamente necessitam de cuidados hospitalares. Acresce ainda o risco de, durante internamentos prolongados e desnecessários, estas Pessoas adquirirem outras patologias ou sofrerem uma deterioração adicional da sua condição física e psicológica.

É, por isso, urgente encontrar respostas adequadas para esta realidade.

Até ao momento, as soluções têm-se centrado essencialmente na criação de vagas destinadas a estas Pessoas nas ERPI — Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, vulgarmente designadas por Lares — ou nas Unidades de Cuidados Continuados.

Embora o objetivo último destas........

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