Uma guerra de efeitos desiguais
As perspetivas começam a ser generalizadamente pessimistas, com boa parte dos analistas a considerarem que vai ser muito difícil chegar a um acordo entre os Estados Unidos e o Irão. (veja-se, por exemplo, aqui). Mas mesmo que o conflito terminasse no dia 6 de Abril, quando termina o prazo dado por Donald Trump, os efeitos na economia global continuariam a ser muito significativos, levando em conta os danos nas infra-estruturas de petróleo e gás que o conflito já fez. Alguns desses danos levarão anos a recuperar.
A presidente do Banco Central Europeu Christine Lagarde, em declarações invulgares, disse em entrevista à revista “The Economist” que os efeitos do conflito estão a ser subestimados. A Agência Internacional de Energia já se referiu a esta crise como a mais grave da história dos choques petrolíferos. O problema não está na dimensão da subida dos preços do petróleo – que foi superior em choques anteriores, nomeadamente em 1973 e 1979 -, mas sim no impacto que o conflito está a ter não apenas no petróleo, mas também no gás, nos fertilizantes e no alumínio, para só citar alguns segmentos de mercado.
Num quadro de impactos transversais e com uma enorme incerteza quanto à duração do conflito é de elementar prudência não desatar a atirar dinheiro de qualquer maneira para cima da economia como fez, por exemplo, Espanha. A pressão política, que as decisões de Pedro Sanchez acabam por fazer ao governo de Portugal, mostra bem como era importante que tivesse existido........
