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Um desastre anunciado

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20.10.2026

A contestação por causa da crise da habitação estava pré-anunciada e aí está ela, com toda a irracionalidade de algumas das medidas exigidas, as soluções mágicas propostas e as formas de protesto escolhidas. Mas também com toda a incapacidade política, passada e presente, exposta para quem a queira ver. Junte-se a isto o aperto financeiro provocado pela renovada crise energética e os episódios de violência a que assistimos em várias cidades europeias, com especial relevo para França, e temos um quadro preocupante. Os governos deixaram acumular problemas, os partidos alimentaram ilusões e a tolerância perante comportamentos violentos ameaça transformar a contestação social numa crise de autoridade do Estado.

O PS, acompanhado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP em muitas das opções políticas para a habitação, tem uma responsabilidade central no agravamento do problema, a que se junta agora o PSD. Todos contribuíram, de diferentes formas, para estimular a procura ou dificultar a oferta, e não conseguiram aumentar significativamente o número de casas disponíveis.

O Governo de António Costa contribuiu para alimentar a procura mantendo durante anos os vistos gold imobiliários, o regime fiscal favorável aos residentes não habituais e incentivos à atração de trabalhadores estrangeiros. A estes fatores juntou-se o crescimento muito rápido e significativo da imigração, sem que tivesse existido uma resposta correspondente na oferta de habitação.

Na reacção à subida de preços iam-se aprovando leis, sempre com aquela mensagem muito do PS de preocupação com os mais desfavorecidos, que acaba por prejudicar os mais desfavorecidos. Uma proteção dos inquilinos que ignora os incentivos dos proprietários pode acabar por ser o maior inimigo de quem procura uma casa para arrendar. E........

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