Os autarcas, o Volta e as festas na escola de Cascais
Foi uma semana interessante com as preferências reveladas de dois autarcas, de Cascais e de Lisboa. O primeiro considerou normal gastar 175 mil euros do PRR na inauguração de uma escola com o argumento de que as regras europeias exigem uma ação de comunicação. O segundo, apesar de ter vivido em Bruxelas, resolveu atacar um dos métodos mais eficazes de reciclagem, usado em alguns países europeus e que basicamente recupera o princípio da tara que há anos abandonámos. O desperdício de dinheiro e a tentação de responsabilizar os outros por não se ter coragem de avançar com uma política de resíduos são as marcas destes dois casos.
Comecemos pelo caso do Volta, neste momento um dos temas a gerar mais paixões nos centros urbanos. A critica principal é ter desencadeado a procura no lixo, espalhando-o pela rua, em busca de garrafas que valem dez cêntimos, sobretudo por pessoas mais desfavorecidas ou toxicodependentes. E o presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas achou que a melhor solução é “cancelar” o sistema Volta, pedido que fez ao Governo, porque, disse, reciclar não pode ser “nem um imposto nem um drama social”. Há dois problemas nesta argumentação.
Primeiro, os dez cêntimos não são um imposto, são um depósito que recuperamos quando entregamos a garrafa ou a lata. E Carlos Moedas sabe muito bem isso. Há queixas porque os supermercados resistem em entregar o dinheiro a quem não é cliente? Pois resolva-se esse problema e........
