O Fundo Soberano de Montenegro
O ex-ministro das Finanças Miguel Beleza, citando de memória, costumava dizer que existiam as empresas e as empresas estratégicas, ou investimentos e investimentos estratégicos. Foram exactamente os investimentos ditos estratégicos que iam atirando ao charco o maior banco do país, a CGD. Só a Artland significou prejuízos para o banco público superiores a mil milhões de euros.
Nem António Costa, apesar da pressão que sofreu dos partidos à sua esquerda, se atreveu a voltar aos investimentos estratégicos. Mas não deixou de usar algumas ferramentas, para obter o que queria ou responder às criticas do BE e PCP. Assim, em 2021 e 2022 o Governo, através do ministro das Finanças João Leão deu ordens à Parpública para comprar acções dos CTT, na sequencia de posições assumidas pelo então ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos, que estava a negociar o contrato de concessão da empresa, enfrentava pedidos de renacionalização da empresa e criticava a privatização. Na altura Pedro Nuno Santos disse nada saber quando foi confrontado com o tema. E Luís Montenegro, já líder da oposição, criticou a iniciativa. Hoje a Parpública tem 0,25% dos CTT.
Quando ouvimos o primeiro-ministro no congresso do PSD a anunciar um fundo soberano e o seu papel, tanto nos parece ter regressado ao tempo dos investimentos estratégicos de José Sócrates como ao tempo de António Costa.
Leia-se bem o que disse o primeiro-ministro, líder do PSD, e que esteve quase um ano a defender alterações da legislação laboral de cariz liberal. O fundo soberano, disse no discurso de encerramento do Congresso do PSD, “será um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em setores estratégicos”. E acrescentou: “Quero, dentro deste projeto, destacar que a........
