Aguiar Branco e a forma, o conteúdo e a oportunidade
O presidente da Assembleia da República abordou temas fundamentais para o futuro da democracia. Devia ter tido mais cuidado na escolha do momento e dos exemplos.
Sim, é verdade que está generalizada a ideia do “nós e eles”, reforçada pelo Chega, que se alimenta dela, porque todo o quadro político o favorece. Sim, a classe política e até os dirigentes locais afastaram-se dos cidadãos e um dos exemplos mais recente foi o tempo que levaram a perceber a tensão cultural e social que estava a gerar, em algumas comunidades, o aumento significativo de imigrantes. Sim, os jovens, embora mais interessados pela política do que no passado, respeitam pouco os políticos e poucos querem entrar nesse mundo. Sim, o universo dos políticos está cada vez mais fechado sobre si próprio e a falar consigo próprio. E sim, o sistema envolve riscos de manipulação por oportunistas. Mas, não, não são as exigências e as regras de transparência e escrutínio os responsáveis por esse retrato da política
A intervenção de José Pedro Aguiar Branco, na cerimónia do 52º aniversário do 25 de Abril, misturou diagnósticos certeiros sobre o que se passa hoje no universo da classe política com terapias que estão longe de ser as mais adequadas. Defender, mesmo que implicitamente, menos transparência em geral e nas declarações de interesses e rendimentos em particular, menos conflitos interesses, mais margem para portas giratórias em nada contribui para aproximar os cidadãos da política.........
