A radicalização laboral
Começo por um testemunho na primeira pessoa. Há dias assisti a uma conferência em que jovens partilhavam com mais jovens, ainda na universidade, como conseguiram entrar no mercado de trabalho, numa área especialmente difícil como é a comunicação em geral e o jornalismo em particular. Ninguém se queixava, ninguém falava em contratos. Sugeriam estratégias, como ir fazer um curso fora do país que “ainda estou a pagar”, dizia uma delas. Ou optar por fazer o estágio no Verão, quando há menos pessoas a trabalhar já que assim podemos ser mais necessários e temos a oportunidade de mostrar o que valemos.
É abismal a distância que vai desse mundo de jovens lutadores, que procuram quebrar a barreira da entrada no mercado de trabalho, e os debates a que temos assistido sobre a lei laboral. O primeiro-ministro apelou a um sindicalismo mais “arrojado”, mas precisamos também de associações patronais mais arrojadas, que não se fiquem por uma lógica de fábrica ou deixem que a lei laboral acabe entendida como um meio para reduzir os custos do trabalho.
Só os que não se apercebem da revolução tecnológica que está a acontecer é que podem considerar que a lei, como está, é mais do que suficiente. É preciso maior flexibilidade para garantirmos que a passagem pela IA e robotização não se traduz numa elevada taxa de mortalidade das empresas. A escolha que estamos a fazer é entre dar às empresas a possibilidade de se reajustarem, modernizando-se, ou ditar a falências das empresas para que outras surjam já adaptadas às novas tecnologias. E, como é óbvio, os custos para a........
