Acampadas, extremistas, 1984 e outras pantominices
A não ser que a “acampada” espanhola tenha criado uma marca e a esteja a exportar em regime de franchising para Portugal, Camões e Eça devem estar a dar voltas no túmulo de cada vez que os nossos jornalistas usam o termo.
Mas não são apenas os nossos jornalistas que apresentam problemas linguísticos. Também entre os manifestantes há quem confunda um fascista com alguém que simplesmente não concorda consigo. E vai daí, seu facho! A palavra é usada como insulto político de forma tão banal que só torna as discussões mais confusas. Em sentido histórico e académico, fascismo não significa simplesmente “ser muito conservador”, “ser de direita” ou “ser autoritário”. É uma ideologia específica, com características próprias. Quem não percebe a diferença deveria fazer mais “acampadas” nas escolas para melhorar os seus conhecimentos.
E se a extrema-esquerda empobrece, a extrema-direita embrutece as pessoas! e nenhum dos extremos ganha superioridade moral pelos defeitos do outro. Ainda assim, os partidos mais radicais recorrem frequentemente à mesma arma retórica: apresentam-se como detentores exclusivos da virtude e tratam quem deles discorda como........
