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A central que acendeu o país e vive a prazo

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17.10.2026

Na tarde de 28 de abril de 2025, Portugal inteiro ficou às escuras. Os semáforos apagaram-se, os elevadores pararam entre andares, as caixas dos supermercados deixaram de abrir. Para voltar a acender um país não basta carregar num interruptor: é preciso uma primeira central capaz de arrancar sozinha, sem receber eletricidade de ninguém, e de ir depois emprestando a sua força à rede, linha a linha, até as outras centrais conseguirem voltar. Chama-se a isto arranque autónomo. Uma das duas centrais que fizeram esse trabalho em Portugal foi a da Tapada do Outeiro, em Gondomar. A outra foi a barragem de Castelo do Bode. Dezoito meses depois, essa central vive como um inquilino com contrato renovado mês a mês. E o próximo prazo é daqui a poucas semanas.

Um concurso que nunca chegou

A Tapada do Outeiro é a mais antiga central a gás de ciclo combinado do país: queima gás desde 1997 e está em serviço industrial desde o fim de 1999. Tem 990 megawatts. O que são 990 megawatts? Pense numa torneira. Os megawatts dizem quanta água passa por segundo; os megawatts-hora dizem quanta água encheu o balde. Uma casa portuguesa média gasta cerca de 3 000 quilowatts-hora por ano. Dividindo pelas 8 760 horas do ano, dá uma torneira aberta, em média, a 0,34 quilowatts. Com 990 megawatts, ou seja, 990 000 quilowatts, abastece-se o consumo médio de quase três milhões de casas (990 000 ÷ 0,34 ≈ 2,9 milhões). O contrato com que a central nasceu terminou em março de 2024. Para depois disso, o Estado prometeu um concurso que escolhesse quem a explora e lhe desse futuro, com painéis solares ao lado e, mais tarde,........

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