Portugal em campo
Sou de uma geração que não foi a tempo de cumprir o serviço militar. Mas joguei futebol. A comparação é disparatada? Talvez seja. Mas a verdade é que também no futebol há uma escola de valores. Também no futebol há camaradagem, sentido de pertença, disciplina, sacrifício e companheiros que ficam para a vida. Numa equipa há vanguarda e rectaguarda, tácticas, planos de ataque, sistemas de forças, linhas recuadas, capacidade de sofrimento e uma ideia muito concreta de missão comum.
Se o imaginário do futebol é metáfora para a vida, o imaginário da guerra é metáfora para o futebol: o cerco à baliza adversária, as bolas bombardeadas para a área, dar o corpo às balas, o jogador-general e, claro, o capitão. Os exemplos são quase infinitos. O que faz sentido: em tempos de paz, o futebol ocupou uma parte do lugar simbólico da guerra. O palco dos sonhos substituiu o teatro de operações.
Enquadrado assim, parece ainda mais natural que seja no futebol que muitas pessoas encontrem a válvula de escape que lhes permite serem patrióticos sem pedir autorização aos guardiões dos costumes. Que possam cantar A Portuguesa como quem cumpre o Juramento........
