Nós, os teimosos da língua portuguesa
Num tempo em que se discute nacionalidade é importante voltar a falar sobre língua. Uma coisa é residir em Portugal. Outra coisa é ser português. A primeira pertence à ordem exterior da vida prática. A segunda pertence à ordem interior da pertença, que é precisamente o lugar onde o pensamento, a identidade e a língua habitam
Neste tema, a língua não é, nem pode ser, uma questão acessória. Pelo contrário: é o primeiro factor de integração. É através dela que uma pessoa compreende a lei, fala com a escola dos filhos, participa no debate público, compreende a história do país onde vive e se torna capaz de o habitar verdadeiramente.
Isto não significa, evidentemente, que qualquer pessoa que resida e trabalhe em Portugal tenha de falar português no primeiro dia. Seria uma exigência injusta. Quantos portugueses emigraram sem saberem dizer uma frase na língua do país que os recebia? Muitos. Quase todos. E nem por isso deixaram de se sacrificar e de contribuir para as sociedades que os receberam. Convém, por isso, alguma prudência perante a irritação fácil de quem entra num TVDE e se vê atendido em inglês com sotaque do Paquistão.
Não obstante, quem pretende tornar-se português deve demonstrar uma ligação efectiva à comunidade nacional. E essa ligação passa, inevitavelmente, pelo português como condição mínima de participação.
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