A Lisboa dos mortos-vivos
Há algumas semanas escrevi aqui sobre aquilo a que João Goulão na Rádio Observador definiu como “uberização da droga”, em “Verdinha — vende-se aqui”. Depois, em “Ai, Senhor Padre, a Mouraria já não é o que era”, fiz o relato do que vi quando visitei a Mouraria. Mais recentemente, em “VOLTA!: a miséria a dez cêntimos a garrafa”, escrevi sobre pessoas que revolvem contentores por dez cêntimos e sobre a possibilidade de existir uma ligação entre esse novo tipo de miséria urbana e o aumento das dependências. Não foi uma série planeada. Infelizmente, Lisboa tem tratado de lhe dar razão de existir.
No dia 6 de Julho, o Grupo Municipal do CDS-PP foi ao Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, o ICAD, no complexo do Hospital Pulido Valente. Depois de andar no terreno, fazia sentido ouvir quem dedica os seus dias a tentar impedir o problema. Receberam-nos a presidente do Instituto, Joana Teixeira, e Joaquim Fonseca, coordenador da Unidade de Prevenção e Promoção da Saúde.
O debate sobre a droga tem normalmente uma relação infantil com a realidade. De um lado, finge-se que basta proibir tudo e mandar a polícia tratar do assunto. Do outro, qualquer alarme é tomado por moralismo e qualquer exigência por repressão. No ICAD, em vez destas fantasias, encontrei gente a trabalhar.
E encontrei também confirmação para duas intuições. A primeira para a leviandade da expressão “drogas leves”. A propósito do Programa Cuida-te,........
