Um Presidente e o epitáfio do esquerdismo
1 Afinal, nem tudo é assim tão mau
Consumada a segunda volta das Eleições Presidenciais de 2026, é tempo de retornar à exegese política.
Comecemos pelo mais óbvio e indesmentível: António José Seguro é o novo Presidente da República, tendo alcançado um resultado eleitoral muito expressivo e abrangente, que não deixa qualquer tipo de dúvidas sobre a opção preferencial dos portugueses a respeito do mais alto magistrado da Nação.
Ainda no a posteriori do mais recente período eleitoral, algumas ilações poderão retirar-se dos respetivos resultados.
Para o efeito, procuraremos sintetizar as referidas ilações na seguinte hipótese: segundo entendemos, a eleição de António José Seguro é, ao contrário do que poderia parecer, o pior resultado possível para a esquerda radical e identitária que ainda persiste no espetro político-partidário português, em especial orbitando em torno de partidos como o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português (PCP) e, ainda que com algumas nuances, o próprio Livre e a ala mais extremada do Partido Socialista (PS).
Por facilidade de discurso, que não descura a inspiração remota no léxico leninista, aludiremos a este conjunto de protagonistas como os representantes do esquerdismo português – em traços largos e necessariamente abreviados, pautado por uma conceção rígida de intervenção estadual, grande hostilidade à primazia da iniciativa económica privada ou ainda, noutro plano, a preferência por modelos de tributação agravada do fator capital, nas suas múltiplas manifestações.
É justamente a este nível, e nos termos da hipótese que serve de mote ao presente artigo, que entendemos que a........
