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Entre irmãos e juízes: do templo ao tribunal

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tuesday

Há notícias que, pela matéria de que são feitas, parecem destinadas a alimentar durante dois dias a curiosidade habitual e depois desaparecer no ruído geral. A notícia avançada pelo semanário SOL sobre a reunião extraordinária de maçons convocada na sequência do processo judicial que envolve o Grande Oriente Lusitano não deveria ser uma delas. Não porque a Maçonaria tenha de ser tratada como uma entidade misteriosa, suspeita ou clandestina, mas precisamente porque este caso levanta uma questão muito mais séria do que a habitual curiosidade sobre quem são os “irmãos”, quem pertence a que loja ou que figuras públicas se encontram dentro das suas fileiras. O que está verdadeiramente em causa é o momento em que uma organização privada, dotada de uma longa tradição de reserva e de uma complexa estrutura interna, é obrigada a explicar perante um tribunal as regras pelas quais se governa.

Segundo o SOL, o Grão-Mestre Fernando Cabecinha convocou uma reunião especial para discutir precisamente as consequências de um processo que pode obrigar o Grande Oriente Lusitano a entregar documentação interna e a enfrentar o risco de exposição de informação que, até aqui, pertencia ao universo reservado da organização. Entre os nomes referidos na notícia encontram-se Ricardo Sá Fernandes, Vasco Lourenço e João Proença. O simples facto de uma organização como o GOL ter necessidade de reunir os seus principais responsáveis para discutir a forma de lidar com uma ordem judicial já seria suficientemente significativo.

Tudo começou com cinco membros da Loja Egrégora, em Coimbra, expulsos do Grande Oriente Lusitano em 2023 na sequência de um processo disciplinar. As acusações eram graves dentro da própria linguagem maçónica, incluindo referências a “tráfico de graus maçónicos”, violação de compromissos assumidos e prática de actos considerados desonrosos. Os cinco contestaram a expulsão e levaram o caso para os tribunais civis, alegando, entre outras coisas, que não tinham beneficiado de um procedimento que lhes assegurasse efectivamente o direito de defesa e o........

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