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A Nova Face da Guerra

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07.06.2026

A guerra foi sempre um espelho, mesmo que algo distorcido, da tecnologia do seu tempo. Das falanges macedónias à artilharia napoleónica, das trincheiras da Flandres aos porta-aviões do Pacífico, cada era imprimiu nos seus conflitos armados os contornos da sua inovação. O século XXI não é exceção, mas a velocidade da transformação em curso supera, em muitos aspetos, o próprio ritmo de adaptação das doutrinas militares tradicionais.

O que emerge dos campos de batalha da Ucrânia, do Médio Oriente e do Mar Vermelho é uma realidade inequívoca: o drone tornou-se o eixo de uma revolução nos assuntos militares que nenhum estratega pode hoje ignorar.

Durante décadas, a superioridade tecnológica na guerra pertenceu àqueles que tinham a capacidade para adquirir os sistemas de armas mais caros. Aviões furtivos, mísseis de cruzeiro de precisão, sistemas de defesa antimíssil de última geração eram fatores determinantes de diferenciação de capacidade entre os exércitos. Esta lógica económica de poder, segundo a qual o investimento bruto em armamento determinava a hierarquia militar global, está hoje profundamente contestada.

A proliferação de sistemas aéreos não tripulados (UAS) de baixo custo, alimentados pela inteligência artificial, pela navegação por satélite e pela eletrónica comercial de massas, nivelou, pelo menos parcialmente, esse campo de jogo. Pequenos drones de primeira-pessoa (FPV) que custam entre 300 e 500 dólares destruíram carros de combate avaliados em vários milhões. Enxames de drones Shahed de fabrico iraniano, com preços unitários entre 20.000 e 50.000 dólares, saturaram e expuseram vulnerabilidades de sistemas de defesa antiaérea que custam centenas de milhões a construir e manter.

O Center for Strategic and International Studies (CSIS) publicou, em 2024, uma análise detalhada sobre a relação custo-eficácia das operações russas com drones Shahed na Ucrânia. Os dados são reveladores e demonstram que apesar de apenas acertarem nos seus alvos em menos de 10% das missões e de serem abatidos em mais de 75% dos casos, estes sistemas continuam a ser, nas palavras dos analistas, “a munição mais eficaz ao nível do custo benefício do arsenal de ataque de fogos da Rússia”.

A lógica apesar de algo perversa acaba por ser implacável pois o custo de um míssil interceptor Patriot (PAC-3) ronda os 3 a 4 milhões de dólares, e um sistema THAAD pode custar entre 12 e 15 milhões por intercetação. Torna-se fácil fazer as contas nesta nova aritmética da guerra.

Num relatório recente do European Policy Centre, Chris Kremidas-Courtney sintetiza esta dinâmica com precisão........

© Observador