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Quando a torneira depende de um servidor

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Desta vez foi o nível baixo da água nos poços que condicionou o abastecimento na margem sul. Da próxima, a falha pode ter outra origem: um ciberataque. Não é ficção; é uma hipótese mais provável do que gostaríamos de admitir.

Comecemos pelo que sabemos. O setor da água potável é, ao mesmo tempo, dos mais críticos e dos menos protegidos que temos. No relatório NIS360 de 2026 da ENISA (a Agência da União Europeia para a Cibersegurança), publicado em maio, o abastecimento de água e as águas residuais figuram na “zona de risco”: setores cuja criticidade excede a maturidade cibernética, lado a lado com a saúde, a ferrovia, o espaço e as administrações públicas. E o pormenor é revelador: a água entrou agora nessa zona, não por ter piorado, mas porque a fasquia subiu à sua volta. A maturidade dos setores críticos europeus tem, no conjunto, melhorado de forma constante à medida que as organizações respondem à pressão regulatória e à ameaça; a água simplesmente ficou para trás num pelotão que acelerou. A explicação é quase banal na sua gravidade: são operadores ricos em alvos e pobres em recursos. Muitas entidades não sustentam especialistas de segurança a tempo inteiro, enquanto operam bombas, válvulas e sensores de cloro que se tornaram apetecíveis para grupos de ransomware e para atacantes patrocinados por Estados.

A tentação, perante........

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