Presidenciais: O Porto Seguro e o Abismo das (a)Venturas
A solidão não é um acidente de percurso; é o inquilino perpétuo de quem se atreve a habitar o Palácio de Belém. Ao contrário do que a espuma dos dias e a vertigem das redes sociais sugerem, a Presidência da República não constitui um estrado para a pirotecnia do ego, mas um austero confessionário de responsabilidades onde o silêncio, tantas vezes, pesa mais do que o aplauso fácil das claques. No domingo de segunda volta, o país não é chamado a escolher um rosto para um cartaz; é instado a designar o guardião de um equilíbrio perigosamente frágil. No tabuleiro atual, a dicotomia é clara: a segurança das instituições ou o precipício das aventuras messiânicas.
O poder possui uma natureza invariavelmente corrosiva. É uma força enclausurante que, na ausência de uma consciência temperada pelo rigor, isola o líder numa redoma de certezas absolutas e perigosas. Um bom Presidente – espécie rara nesta era de política-espetáculo – sabe que o exercício da magistratura de influência exige um choque recorrente com a aspereza do real. Não basta auscultar os conselheiros de serviço; é imperativo ouvir a própria........
