A Europa enfiou a agricultura num colete de forças
Um colete de forças não mata, mas imobiliza. É precisamente este o cenário que a agricultura europeia vive nos dias de hoje, um sector cada vez mais regulado e menos livre para produzir. As exigências ambientais, muitas delas legítimas na intenção, revelam-se lesivas na execução, pela acumulação incessante e excessiva e pelo ritmo imposto, que ultrapassa a capacidade de resposta de quem está no terreno e quer continuar a trabalhar a terra.
É esse o efeito de boa parte da regulação que recai sobre os agricultores europeus, homens e mulheres tecnicamente preparados e ambientalmente conscientes, mas amarrados por uma teia de normas insaciáveis e em permanente expansão. O conceito de “agricultura verde”, em si valioso, foi mal transmitido e acabou por penalizar precisamente aqueles que dizia querer proteger. Em vez de parceiros fundamentais para a transição climática, os agricultores são as mais das vezes tratados como os maus da fita, forçados a lidar com infindáveis burocracias, a justificar cada gota de água, cada grama de fertilizante, cada tratamento fitossanitário, como se fosse possível dispensá-los, desviando o seu tempo e energia daquela que é a sua verdadeira vocação: produzir alimentos.
Sempre o disse e volto a dizer: o problema não está na ambição ambiental, está na incoerência e na utopia reinantes. A sustentabilidade e a rentabilidade podem (devem) coexistir, e há hoje por toda a Europa excelentes exemplos que o demonstram: a produção........
