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Vocês não valem nada

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08.06.2026

Há dias, no comboio entre a Amadora e Entrecampos, dei por mim a olhar para as mesmas caras de sempre. Não as conheço. Nunca lhes falei. Mas reconheço-as. Reconheço o homem que adormece encostado à janela porque já saiu de casa a dever descanso ao corpo. Reconheço a mulher que aproveita a viagem para responder a emails antes de começar o dia.

Creio que nenhuma destas pessoas vive obcecada com o futuro da direita portuguesa. Nenhuma perde tempo a discutir federações partidárias, reorganizações estratégicas ou geometrias parlamentares. Estão ocupadas com assuntos mais exigentes. Trabalhar. Criar filhos. Pagar contas. Chegar ao fim do mês sem sobressaltos. Construir uma vida que justifique o esforço que fazem todos os dias.

Talvez seja por isso que nunca percebi o fascínio de alguns comentadores pela concentração política. Quem vive nos subúrbios aprende cedo que a concorrência faz parte da vida. O café da esquina sabe-o. A papelaria sabe-o. O restaurante sabe-o. Até o barbeiro sabe-o. Se aparece alguém melhor, tens de melhorar também. Não pedes uma fusão ao concorrente da rua ao lado.

No país político, a conversa é muitas vezes diferente.

A concorrência é celebrada em teoria e combatida na prática. Defende-se a pluralidade desde que não altere os equilíbrios existentes. Fala-se de diversidade desde que ela permaneça dentro dos limites considerados aceitáveis. A inovação é elogiada até ao momento em que ameaça quem já lá estava.

Talvez por isso me intrigue tanto a facilidade com que uma parte do........

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