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Quando África deixa de ser passado?

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14.08.2026

Não comecei a pensar na imigração a ler despachos de Bruxelas ou a ver imagens de Ceuta na televisão. Comecei porque a minha cidade mudou depressa demais. Para quem vive e faz política na Amadora, esta mudança não é uma tese académica. Está na Venteira ou na Mina de Água, nas rendas absurdas que atiram as nossas famílias para fora daqui, nas campainhas dos prédios que respondem em várias línguas, no sufoco que é tentar entrar num comboio às sete e meia da manhã. Aquela sensação persistente e pesada de que há cada vez mais gente a disputar o que já era escasso incomoda-me. Chega a dar raiva. E durante muito tempo, confesso, pareceu-me evidente onde estava o problema: mesmo aqui, à minha porta. Até começar a desconfiar que o que vemos nas nossas ruas é apenas o último e mais doloroso quilómetro de uma história muito maior.

Estou cansado do debate de pacotilha na televisão que nos obriga a escolher entre ser o polícia de fronteira implacável ou o anjo da guarda das portas escancaradas. Na Amadora, sabemos bem o que custa fechar os olhos e deixar criar sociedades paralelas, bairros onde a presença do Estado é uma miragem e onde a integração é apenas uma palavra bonita em relatórios públicos. Mas também sei que não é a erguer muros à pressa que protegemos o que temos. Como português, europeu e liberal, procuro o óbvio: mobilidade com regras claras, integração a sério (que exige muito de quem chega, mas também de nós) e um Estado que não tem complexos em dizer quem pode........

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