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O Rebanho Eleitoral e a Indústria da Pobreza

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22.06.2026

Sempre que se propõe reformar os apoios sociais em Portugal, o guião repete-se com a precisão de um relógio suíço. Ao meio-dia, há sempre quem ache que a pobreza se resolve a chicote, com mais fiscalização e castigo. Às seis da tarde, instala-se o pânico moral, tratando qualquer exigência feita a um beneficiário como um ataque indigno aos direitos humanos. No meio desta guerra de trincheiras, esmaga-se a única pergunta que interessa: um apoio social serve para manter as pessoas dependentes do sistema ou para as ajudar a fugir dele?

Qual é o verdadeiro papel do Estado Social?

A resposta deveria ser um instinto básico. Uma sociedade decente não abandona quem cai. O desemprego, a doença ou o infortúnio não podem ser sentenças de exclusão, e o Estado tem o dever moral e financeiro de ser o amparo de quem precisa.

Mas proteger não é substituir. O papel do Estado Social não é viver a vida das pessoas por elas; é devolver-lhes o volante da própria vida.

Durante décadas, habituámo-nos a medir o sucesso das políticas sociais com a métrica da esmola:........

© Observador