O verão que Portugal pode perder: filas, greves...
Há uma aritmética muito simples que o Governo português parece recusar fazer. O turismo representa 21,5% do PIB nacional — 62,7 mil milhões de euros por ano, segundo o WTTC e a Oxford Economics. Em julho e agosto, os dois meses de pico, as receitas turísticas atingem entre quatro e quatro mil e quinhentos milhões de euros por mês. Cada dia de caos num aeroporto português não é apenas um inconveniente para o turista. É uma fracção desse número a evaporar — em reservas que não são feitas, em avaliações negativas que ficam para sempre na internet, em turistas que escolhem Madrid, Roma ou Atenas na próxima vez que pesquisam um destino europeu.
Portugal vai entrar no verão de 2026 com quatro crises simultâneas no sector da aviação. Nunca aconteceu antes. E ninguém parece estar verdadeiramente preocupado — o que, por si só, é o dado mais alarmante de todos.
A CNN já sabe. Portugal ainda não percebeu
Na terça-feira, 26 de maio, Clarissa Ward — correspondente-chefe internacional da CNN — publicou nas suas redes sociais um vídeo filmado no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Descreveu o que via como «caos». Afirmou que era a fila mais longa em que alguma vez tinha estado na vida. Esperou duas horas no controlo biométrico do EES. Perdeu o voo. Filmou as filas a serpentear por centenas de metros dentro do terminal. Descreveu o sistema como «completamente partido» — acrescentando que os turistas britânicos devem estar preparados para esperar até seis horas na chegada a Portugal este verão.
Clarissa Ward não é uma viajante ocasional a queixar-se nas redes sociais. É uma das jornalistas mais reconhecidas do mundo, com décadas de cobertura internacional em zonas de conflito. Quando uma profissional deste calibre diz que o aeroporto de Lisboa é o pior que conhece, não está a fazer drama. Está a fazer jornalismo.
E está a fazê-lo para milhões de seguidores em todo o mundo — precisamente o público que Portugal precisa de atrair durante os próximos três meses.
A tempestade perfeita
O episódio da CNN não é um acidente isolado. É a face mais visível de uma crise que se acumulou ao longo de meses e que vai entrar no pico do verão europeu sem solução à vista.
A primeira........
