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O partido que não existe e ganhou a primeira volta

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07.10.2026

Há no Brasil uma força política sem partido, sem sede e sem líder, que no domingo ganhou a primeira volta das presidenciais. Chama-se anti-lulopetismo.

Não aparece em nenhum boletim de voto, mas está em todos. Com a contagem encerrada, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos e Lula da Silva com 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. São 56,1 milhões de votos contra 53,9 milhões, uma vantagem de 2,2 milhões de eleitores.

Ninguém o viu chegar, pelo menos nas sondagens. Na véspera, o Datafolha, o instituto de referência do país, dava a Lula 45% dos votos válidos e a Flávio 40%. Em janeiro, a Quaest simulava uma segunda volta entre os dois e atribuía a Lula sete pontos de vantagem. Não é a primeira vez. Em 2022, o mesmo Datafolha dava 36% a Jair Bolsonaro na véspera da primeira volta, e as urnas deram-lhe 43,2%. Quando um erro se repete sempre na mesma direção, deixa de ser ruído estatístico e passa a ser informação.

E a informação é esta. Há um eleitor brasileiro que não responde às sondagens, ou responde de outra maneira. É muitas vezes o pequeno empresário, o trabalhador por conta própria, o agricultor do interior, o pai de família que paga imposto sobre quase tudo e não recebe apoio de quase nada. Não faz manifestações nem tem porta-voz, desconfia de quem lhe telefona a perguntar em quem vai votar, e guarda a resposta para o dia da eleição. É, por assim dizer, a maioria silenciosa do Brasil. No domingo deixou de estar calada.

Convém........

© Observador