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O fim da mesada

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14.10.2026

Há uma data que devia estar afixada na parede de todos os ministérios portugueses, e não está. Até 31 de dezembro de 2026, a Comissão Europeia fará o último pagamento do Plano de Recuperação e Resiliência. Depois disso, acabou. Não há segunda edição nem prolongamento, e Bruxelas avisou desde o primeiro dia que o prazo não mudaria. Foram cerca de € 21,9 mil milhões, dos quais € 16,3 mil milhões em subvenções e o resto em empréstimos, o equivalente a um quadro comunitário inteiro, concentrados em cinco anos.

O Governo garante que as metas foram cumpridas a tempo, a 31 de agosto. Acredito, e não lhe tiro o mérito. Mas convém ler a frase com atenção de contabilista, porque cumprir metas não é o mesmo que executar investimento. Para lá chegar, o plano foi reprogramado e simplificado, e os projetos que não cabiam no prazo foram redimensionados até caberem. É a técnica do aluno que entrega o trabalho a horas porque cortou os capítulos que não acabou.

E os capítulos cortados têm fatura. As contas feitas pela imprensa económica apontam para pelo menos € 2,2 mil milhões em projetos que ficaram sem cobertura do PRR. A maior parte poderá passar para o Portugal 2030, com cofinanciamento de 85% em vez da subvenção integral, e o ministro da Economia e da Coesão Territorial garante que o Orçamento do Estado pagará pouquíssimo. O Governo aprovou, ainda assim, uma linha de até € 200 milhões para concluir obras até ao fim de 2027. Mas não haja ilusões. O Portugal 2030 também é dinheiro que tinha outro destino, e cada euro que tapa um buraco do PRR é um euro que deixa de ir para onde estava previsto.

Há números que mostram onde é que isto custou mais. No fim de agosto, a Saúde, a área mais........

© Observador