A Europa cara demais até para as máquinas
Há uma pergunta que a Europa evita fazer a si mesma, porque a resposta é humilhante. Quando uma fábrica escolhe onde se instalar, quando um data center decide onde vai pensar, porque é que cada vez menos escolhem a Europa? A resposta cabe numa palavra, energia, e no preço a que ela custa deste lado do mundo.
Comecemos pelos números, que é onde começa a verdade. A electricidade para a indústria europeia custa, segundo o BusinessEurope e o próprio Relatório Draghi, duas a três vezes mais do que nos Estados Unidos e na China. Não é uma pequena desvantagem competitiva, é um abismo. Nos preços residenciais, a Europa é o continente mais caro do planeta, cerca de 0,254 dólares por kWh, contra 0,088 na Ásia. E não é conjuntura passageira, é estrutura. A própria União Europeia reconhece, em documento do seu Conselho de Outubro de 2025, que a crise energética tornou vulneráveis as indústrias que mais energia consomem.
Quando a energia custa o triplo, a fábrica não fecha por falta de procura. Muda de sítio.
A primeira fuga, a indústria de sempre
A Turquia, às portas da Europa, oferece custos de produção que a indústria europeia já não consegue praticar, e tornou-se destino natural de quem precisa de produzir mais barato sem se afastar demasiado do mercado europeu. Não é exílio, é uma mudança de rua para onde a conta da luz é suportável. A União percebeu o problema e a sua resposta diz tudo, em vez de........
