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Eduquês: a pedagogia que empobrece o país

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Há uma palavra que o sistema educativo português detesta ouvir: exigência. Pronunciá-la numa sala de professores, num gabinete ministerial ou numa conferência de “ciências da educação” é arriscar ser tratado como um nostálgico do reguinho e da palmatória. Convém, por isso, dizê-lo sem ambiguidade: quem escreve estas linhas é professor e rejeita a palmatória, o castigo físico, a humilhação pública do aluno e toda a escola do medo que o Estado Novo cultivou. Essa escola não deixou saudades a ninguém e não deve voltar. Mas confundir exigência com crueldade é um truque retórico, e é precisamente esse truque que explica boa parte do que os resultados do PISA nos têm vindo a dizer, e que teimamos em não querer ouvir.

Os números são conhecidos. Em 2015, Portugal atingiu o seu melhor desempenho de sempre: 492 pontos a Matemática, 498 a Leitura, 501 a Ciências, acima da média da OCDE nas três áreas. Era o culminar de uma trajectória de quinze anos, iniciada com resultados sofríveis em 2000, e sustentada por uma ideia simples: o que se ensina tem de ser claro, e o que se aprende tem de ser verificado. Em 2022, a queda foi brutal. Matemática desceu para 472 pontos, Leitura para 477, Ciências para 484. Vinte pontos perdidos a Matemática equivalem, grosso modo, a um ano lectivo inteiro de aprendizagem. Um ano de vida escolar que uma geração inteira não recuperou.

A resposta oficial é previsível: a pandemia. É verdade que a pandemia afectou todos os países. Mas não afectou todos da mesma maneira, e a queda portuguesa foi superior à média da OCDE. A pandemia não explica tudo; serve, isso sim, de álibi perfeito para quem não quer discutir o que mudou antes dela. E o que mudou antes dela tem nome.

A partir de........

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