A ética da sala de aula
A escola tornou-se, nos últimos anos, um território onde todos reclamam direitos e poucos reconhecem deveres. Discute-se a qualidade dos programas, a formação dos docentes, a falta de meios, a burocracia e o desgaste acumulado nos corredores da instituição. Mas raramente se encara o problema central: a educação não é apenas um sistema. É uma relação humana. E todas as relações humanas podem falhar: não apenas de um lado.
Costuma afirmar-se, com a segurança confortável de quem encontrou um culpado universal, que a crise educativa é culpa dos professores. Que não são motivadores, que não compreendem os novos tempos, que não dominam o “pedagogês” contemporâneo com a fluidez de um influenciador digital. Há, sem dúvida, profissionais que não honram a dimensão exigente do seu ofício. Qualquer corpo humano, e o docente não é exceção, contém falhas. Mas esta explicação fácil revela uma cegueira mais profunda: pressupõe que a dignidade da educação reside apenas no professor. E isto é um erro conceptual.
Explicamos: a aula não é um espetáculo onde o docente atua e o aluno assiste. A aula é a construção simultânea de duas vontades. Sem reciprocidade,........
