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É preciso ter calma!

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28.05.2026

É cada vez mais frequente a pressão sobre os governos no sentido de actuar quando os preços dos combustíveis sobem mais do que o esperado. Não faltam os pedidos de redução dos impostos sobre o consumo e até de controlos administrativos dos preços. Não faltam também os pedidos de compensação das perdas de rendimento de famílias e empresas provocadas pela subida da inflação.

Acontece que, nas economias de mercado, os preços são um indicador essencial da necessidade de ajustamento dos comportamentos dos agentes económicos, cuja ocultação será contraproducente. Todos sabemos que a dor é um sinal de que o nosso corpo não está a funcionar como devia. Se nos limitarmos a tomar analgésicos sem conhecer e tratar as causas da dor, o resultado poderá ser a continuação ou o agravamento da doença. Pior ainda, se o analgésico tiver efeitos secundários. É assim com a inflação. A subida dos preços resulta ou de um excesso de procura, ou de uma escassez de oferta, ou de um misto dos dois. Por isso, os remédios têm de passar por aumentar a oferta, reduzir a procura, ou por uma combinação de ambos.

O aumento da oferta é, normalmente, um processo de médio/longo prazo. Por isso, o ataque dos surtos inflacionistas é feito essencialmente pela contenção da procura. Nas economias de mercado desenvolvidas, esse ataque é responsabilidade dos bancos centrais independentes, onde a estabilidade de preços é componente essencial – em alguns casos, mesmo única missão – dos respectivos mandatos. O seu instrumento principal é o dos níveis das taxas de juro, que tendem a subir quando é necessário conter a inflação. Quando os governos decidem actuar sobre os níveis de preços – seja pela via da fiscalidade ou pela subsidiação –, ou........

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