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Tolentino Mendonça: poeta, pensador, construtor de pontes

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21.09.2026

A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu na passada quinta-feira a medalha de honra da cidade a um homem excecional, o Cardeal José Tolentino Mendonça. A sua viagem começou na Madeira, mas foi em Lisboa que se fez homem, estudante e professor, deixando uma marca que permanece. Hoje é uma figura universal, mas Lisboa sabe que a traz sempre no coração.

A nossa cidade sempre foi um lugar de encontro e um porto de abrigo de onde partem novas formas de ver o mundo. Deve muito à Igreja Católica pelo seu universalismo. Os valores judaico-cristãos são a base da nossa cidade, das nossas gentes e a da nossa abertura ao mundo. O percurso do Cardeal Tolentino Mendonça reflete essa vocação universalista de uma forma única. Destaco três dimensões fundamentais que definem o seu percurso.

A primeira é a de poeta. D. José Tolentino Mendonça tem uma vasta obra de poesia, ensaio e teatro. Para ele, a poesia é a arte de resistir ao seu tempo – e a sua obra resiste mesmo. Venceu o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia em 1998 e o Prémio Pessoa em 2023. Há nestas distinções algo de muito simbólico. Lisboa é a cidade de Fernando Pessoa, uma cidade das grandes interrogações, da procura de quem somos e do mistério das muitas vidas que cabem dentro de uma só vida.

E há também Ruy Belo, muito próximo do percurso intelectual de José Tolentino Mendonça. Um poeta que estudou profundamente e a quem dedicou a sua tese de licenciatura. Se em Pessoa encontramos a inquietação da identidade, em Ruy Belo encontramos a atenção ao quotidiano, à fragilidade, à transcendência escondida nas coisas mais simples.

Talvez seja precisamente aí que encontramos Tolentino Mendonça. Na capacidade de juntar as grandes perguntas às pequenas coisas. O infinito ao quotidiano. O mistério........

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