Os polícias do Rato e a história da direita
É um escândalo, e um escândalo é mais do que um horror. A palavra vem do vocabulário teológico, para definir um pecado especialmente grave: aquele que corrompe não só a nossa natureza, mas a dos outros.
O que se passou no Rato (e que é próprio deles, não de homens) é especialmente perverso, porque torna carrascos os que deviam ser protectores, e isso mina uma sociedade inteira. A violência e o poder de coerção, dentro da política, são o problema central. O homem percebe que não pode viver sem eles e entrega-os. Repare-se bem no feito civilizacional que isto significa: nós damos a alguém o poder de nos prender, de nos coagir, de nos tirar a liberdade. Damo-lo porque percebemos que é necessário, sim, mas abdicamos da nossa protecção própria, da possibilidade de sermos nós próprios violentos, e depositamos a nossa defesa em alguém. Que alguém use esse poder, que nos torna a todos vulneráveis, para fins tão perversos como os do Rato é de uma maldade absolutamente corrosiva.
Infelizmente, no entanto, não se trata de caso único. Mais, não será o último. O poder tem esta capacidade destruidora, e um dos........
