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O preço de deixar a política sozinha

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01.08.2026

Numa das últimas assembleias a que assisti, a bancada do público tinha mais cadeiras vazias do que ocupadas, e quase todos os presentes tinham ligações partidárias ou um assunto pessoal em agenda. Podia ter sido numa freguesia ou num município, em quase qualquer ponto do país, e é isso que devia preocupar-nos.

É esta a contradição que nunca consegui explicar bem na nossa democracia local. As pessoas preocupam-se com os impostos, com as ruas, com as obras paradas e com os apoios que vão para uns e não para outros. Mas no dia em que isso se decide, a sala está vazia, e a população descobre tudo semanas depois, nas redes sociais ou quando sente o efeito no bolso. Nessa altura o orçamento já foi aprovado, o contrato já foi assinado, a verba já foi transferida.

Convém dizer o óbvio. As sessões das assembleias de freguesia e das assembleias municipais são públicas e qualquer pessoa pode entrar, sentar-se e ouvir. E não fica por aí, porque a lei prevê um período de intervenção do público, no qual qualquer cidadão pode pedir a palavra e colocar questões, com direito a resposta. É ali que se decide o destino do dinheiro dos contribuintes.

Votar é essencial, mas votar de quatro em quatro anos e desaparecer no intervalo é entregar um cheque em branco. Sem acompanhar o mandato, não sabemos quem trabalhou, quem fiscalizou, quem se absteve. E........

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