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O Algoritmo de Lenine

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16.10.2026

A indignação não é um defeito de fabrico das democracias, é o seu oxigénio. Felizes  as sociedades que, perante a asfixia das circunstâncias, recusam a anestesia do  conformismo e saem à rua para resgatar o futuro. Em Portugal e na Europa de hoje,  os motivos para o descontentamento não são construções teóricas, são faturas ao  fim do mês. A crise imobiliária empurrou a classe média para a periferia da  subsistência e esmagou a emancipação dos mais jovens, a inflação implacável  devorou o poder de compra de mais de metade dos portugueses, e o trabalho, que  outrora era o passaporte para a dignidade, transformou-se para muitos num esforço  inglório que já não garante a fuga à pobreza. Manifestar-se contra esta decadência  não é apenas um direito legítimo, é um dever cívico. O problema, contudo, começa  quando a montra desta aflição real é assaltada por quem não quer resolver o  presente, mas sim desenterrar os piores fantasmas do passado.

Recentemente, num exercício quotidiano de scroll pelas redes sociais, deparei-me  com uma sucessão de vídeos de protestos que ecoam pelas capitais europeias. A  internet, que nos foi prometida como a grande ágora da liberdade e da pluralidade,  revelou-se um........

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