O Algoritmo de Lenine
A indignação não é um defeito de fabrico das democracias, é o seu oxigénio. Felizes as sociedades que, perante a asfixia das circunstâncias, recusam a anestesia do conformismo e saem à rua para resgatar o futuro. Em Portugal e na Europa de hoje, os motivos para o descontentamento não são construções teóricas, são faturas ao fim do mês. A crise imobiliária empurrou a classe média para a periferia da subsistência e esmagou a emancipação dos mais jovens, a inflação implacável devorou o poder de compra de mais de metade dos portugueses, e o trabalho, que outrora era o passaporte para a dignidade, transformou-se para muitos num esforço inglório que já não garante a fuga à pobreza. Manifestar-se contra esta decadência não é apenas um direito legítimo, é um dever cívico. O problema, contudo, começa quando a montra desta aflição real é assaltada por quem não quer resolver o presente, mas sim desenterrar os piores fantasmas do passado.
Recentemente, num exercício quotidiano de scroll pelas redes sociais, deparei-me com uma sucessão de vídeos de protestos que ecoam pelas capitais europeias. A internet, que nos foi prometida como a grande ágora da liberdade e da pluralidade, revelou-se um........
