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Trump não é um Messias digital

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18.04.2026

O cenário mais provável continua a ser o cessar-fogo levar a um compromisso, mesmo que frágil e parcial, que permita aos beligerantes, Irão e EUA, declarar vitória. Teremos de ver se há margem para os compromissos que isso implicaria, e como se comportam os co-beligerantes Israel e Hizbullah. Esperemos que o estreito de Ormuz não se transforme efetivamente no estreito do Irão, apesar de Trump o ter designado assim. É um lapso ou uma ignorância que os iranianos não deixarão de usar. Isso seria o ruir do princípio da liberdade de navegação, um pilar da ordem global e da nossa prosperidade. Entretanto Trump abriu uma nova frente contra o papa Leão XIV.

Trump contra Leão XIV

Para quem tinha dúvidas ficou o desmentido do próprio Donald Trump, ele não acha que é Cristo. É possível que apesar disso alguns dos seus seguidores mais devotos continuem a idolatrar nele um novo Messias e a lançar todo o tipo de insultos e maldições sobre os descrentes dos seus poderes miraculosos. Mas Trump – é verdade que ao fim de muitas horas – fez algo raro, quase um milagre, recuou numa polémica e retirou uma posta digital. Não fez mea culpa, claro, isso seria demasiado cristão, alegou que foi o resto do Mundo que percebeu mal. A imagem em questão seria – acredite quem quiser – de um médico que faz curas milagrosas vestido com uma túnica da época de Jesus e por via da imposição das mãos e com recurso a uma luz miraculosa.

O que levou a tal recuo de Trump? As críticas foram muitas, inclusive de setores evangélicos que têm sido um pilar do trumpismo, mas que recordavam o suficiente da Bíblia para não ignorarem o pecado da idolatria, com um chefe político a pretender usurpar a devoção devida a Deus. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos desta novela de egocentrismo........

© Observador