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Rubio foi a Munique: um trumpismo menos ameaçador?

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20.02.2026

Foi em 1963 que um prestigiado aristocrata alemão começou a organizar, em Munique, um encontro anual de líderes políticos, académicos, militares e espiões da Europa Ocidental e dos EUA para discutirem desafios de segurança. Ewald von Kleist tinha credenciais impecáveis como defensor das grandes tradições liberais e cristãs do Ocidente, foi parte da oposição clandestina à barbárie ultranacionalista, racista dos nazis e, depois, resistiu à sovietização comunista do país. O seu objetivo era reforçar os laços de confiança entre os dois lados do Atlântico e consolidar a comunidade de segurança ocidental. Uma comunidade de segurança consolidada é caraterizada por uma tal convergência de interesses e valores, de tal forma sólida e institucionalizada que a guerra se torna impensável como forma de resolver os conflitos entre os Estados que dela fazem parte.

Não há alianças sem tensões

É claro que sempre existiram tensões no seio da Aliança Atlântica. Foi em parte para as ultrapassar que a Conferência de Segurança de Munique foi criada. As alianças de sucesso gerem bem essas tensões e ultrapassam-nas. E é um facto que, desde 1949, a guerra se foi tornando impensável entre membros da Aliança Atlântica. Por muito que tenha havido divergências entre de Gaulle e Macmillan, entre Nixon e Brandt, ninguém pensava seriamente que isso poderia levar a um conflito armado. Esse nível de confiança mútua foi quebrado com as ameaças repetidas e sem precedentes de Donald Trump contra a Dinamarca a respeito da Gronelândia. Tudo isto para satisfazer o seu ego, visto que o governo de Copenhaga deixou claro que estava disposta a chegar a acordos mutuamente benéficos para mais bases ou investimentos.

É o cúmulo da ironia que os trumpistas venham agora dar lições sobre o risco de colapso do Ocidente, quando são eles uma das principais causas da sua divisão e do seu enfraquecimento.

Desta vez é diferente

A Conferência de Segurança de Munique tem sido um sucesso, globalizou-se, tornando-se num dos grandes palcos da diplomacia pública global. Pode não resolver sempre os problemas, mas pelo menos ajuda a clarificá-los. E para os que não estavam em negação, o significado de Trump 2.0 para a Europa devia ter ficado claro durante o discurso, há um ano, em Munique, do vice-presidente J.D. Vance. Nele, Vance negou que a Rússia fosse uma ameaça. E afirmou que a verdadeira ameaça na Europa para a nova Administração eram governos que não estavam dispostos a alinhar com Trump, como o governo dinamarquês relativamente à Gronelândia.

Mais, Vance aproveitou........

© Observador