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Portugal e a NATO

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11.07.2026

Portugal foi um dos 12 países fundadores da Aliança Atlântica com a assinatura do Tratado de Washington a 4 de abril de 1949. Mas com hesitações por parte de Salazar e de vários futuros aliados, como o Canadá, que consideravam que a presença de uma ditadura minava a legitimidade de uma aliança para a defesa do Mundo livre. No entanto, uma aliança sólida assenta acima de tudo numa perceção partilhada de ameaças. E em abril de 1949 essa ameaça partilhada de Otava a Lisboa, de Oslo a Roma era a União Soviética de Estaline. A partilha de valores, no entanto, ajuda a cimentar a confiança mútua e consolidar uma visão semelhante do Mundo entre aliados. Os valores partilhados, em 1949, eram sobretudo a rejeição do brutal estatismo comunista em nome das tradições ocidentais, mas também da democracia liberal. Eram as implicações disso no caso de Portugal que preocupavam Salazar e os canadianos.

Ameaças partilhadas, base de uma aliança

O que prevaleceu foi a posição realista e pragmática que dava prioridade à contenção eficaz da ameaça partilhada da União Soviética. Essa foi a posição, nomeadamente, dos EUA e da Grã-Bretanha, que desenharam o essencial da nova Aliança Atlântica com base na sua experiência durante a Segunda Guerra Mundial, antes de convidar outros Estados a aderir. Londres e Washington D.C. insistiam que Portugal era indispensável – por causa da centralidade geoestratégica dos Açores, confirmada pela Batalha do Atlântico durante a Segunda Guerra Mundial – para garantir a segurança da ligação entre as duas margens do oceano no caso de um ataque soviético. As resistências de Salazar foram ultrapassadas pelo reconhecimento de que havia uma Guerra Fria global e o regime português tinha vantagem em estar no bloco anticomunista ocidental; e por uma forte pressão interna de diplomatas e de militares portugueses desejosos de recolher os benefícios em termos de prestígio externo e modernização das Forças Armadas decorrente da pertença à Aliança Atlântica. Diga-se que Salazar tinha alguma razão nos seus receios: a experiência de trabalhar e viver em países democráticos da NATO foi importante para abrir os horizontes de importantes oficiais portugueses, de Humberto Delgado a Costa Gomes.

Não há alianças sem tensões

Não há........

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