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Como terminar uma guerra

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Para que serve uma guerra? War! What is it good for? Cantavam os The Temptation e depois os Jam. E respondiam: Absolutely nothing! Absolutamente nada! Não é assim tão simples. Grandes inovações da triagem na medicina até à internet surgiram num contexto de conflito. Apesar disso, ninguém – pelo menos, ninguém no seu perfeito juízo, como escrevia Clausewitz – inicia uma guerra sem saber quais são os seus objetivos políticos, e sem se certificar de que não os consegue alcançar por meios mais pacíficos, menos custosos, menos incertos. Uma guerra pode ser um mal necessário: não creio, por exemplo, que Hitler fosse suscetível a argumentos diplomáticos. Um dos grandes problemas de uma guerra, no entanto, é ser muito difícil saber como irá acabar. O inimigo tem um voto que torna a sua evolução, custo e desfecho difíceis de prever. Trump cometeu em relação ao inimigo iraniano um erro frequente e sempre muito custoso – subestimar o inimigo e a sua vontade de continuar a combater. Este acordo de cessar-fogo reflete esse erro. O mínimo que podemos fazer é tentar aprender alguma coisa com o sucedido.

O grande escritor e humorista Mark Twain gostava de dizer que a guerra era a forma de Deus obrigar os seus compatriotas norte-americanos a aprenderem geografia, a conhecerem melhor o resto do Mundo. Um dos autores mais conhecidos da escola geoestratégica francesa, Yves Lacoste, deu como título ao seu livro clássico de 1976: A Geografia serve sobretudo para fazer a guerra. Efetivamente, sem um bom conhecimento de geografia não é possível compreender ou conduzir operações militares com sucesso. Por muito que os meios tecnológicos e as suas aplicações militares possam ter mudado, o controlo do estreito de Ormuz, um dos pontos de estrangulamento da navegação global e ponto de passagem obrigatório de rotas comerciais vitais ligando oriente e ocidente, continua a ser tão importante hoje como era no tempo de Afonso de Albuquerque. E em Ormuz a geografia apertada do estreito que reduz o tempo de reação das defesas, combinada com tecnologia como drones, mísseis e novos tipos de minas, favorecia o Irão. Trump optou por ignorar que estamos num mundo........

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