O frio que mata: a pobreza energética em Portugal
Os dias de frio intenso que atravessamos um pouco por toda a Europa tornam mais visível aquilo que, durante demasiado tempo, permaneceu diluído no debate público. As alterações climáticas deixaram de ser uma abstração ambiental e passaram a manifestar-se de forma concreta através de fenómenos extremos, ondas de frio no inverno, ondas de calor cada vez mais longas no verão, com impactos diretos na vida das pessoas.
No verão, o efeito é evidente, incêndios florestais, stress térmico, mortalidade acrescida. No inverno, o impacto é menos discutido, mas igualmente grave. O frio extremo agrava doenças respiratórias, potencia infeções, pressiona os serviços de saúde e desvia recursos hospitalares para situações que poderiam, em grande medida, ser prevenidas. Em ambos os casos, estamos perante consequências sociais das alterações climáticas que não podem continuar a ser ignoradas.
É neste contexto que a pobreza energética assume uma centralidade absoluta. Não se trata apenas de um problema de rendimento ou de preço da energia. Trata-se, sobretudo, da falta de condições habitacionais termicamente adequadas para enfrentar fenómenos climáticos cada vez mais severos. Habitações mal isoladas, edifícios antigos, soluções construtivas inadequadas e ausência de capacidade financeira para aquecer ou arrefecer os espaços de forma segura e eficaz.
As populações mais expostas são conhecidas. Os agregados familiares com menores recursos, os idosos, muitas vezes já com condições de saúde fragilizadas, e também as crianças. São estas........
