O Brasil celebra a rutura — Portugal finge proximidade
Há datas que revelam mais do que parecem. No Brasil, o dia 21 de abril é feriado nacional em honra de Joaquim José da Silva Xavier. No dia seguinte, 22 de abril, passa quase despercebida a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500. Não é um lapso. É uma escolha.
E como lembrava Jacques Le Goff, “o documento é monumento”. A memória não é neutra: constrói-se, seleciona-se, organiza-se. Um feriado não é apenas um descanso no calendário — é uma afirmação política sobre o passado que se quer celebrar. Ao elevar Tiradentes e relativizar Cabral, o Brasil não está a esquecer; está a escolher.
Nada contra. Todas as nações fazem isto. O problema começa quando essa construção simbólica convive com um discurso de proximidade quase automática com Portugal, sobretudo quando daí resultam benefícios concretos.
Portugal, nas........
