Vencedores perdidos
Vencer é mais difícil que perder. Primeiro, porque como Churchill (o Winston, não o Pedro) dizia requer magnanimidade, o que é mais difícil que a insurgência. Segundo, porque quando se perde acabou, mas quando se ganha há que continuar. E para continuar há que saber o que fazer a seguir.
O que fazer a seguir tornou-se num verdadeiro dilema para os vencedores das últimas contendas políticas. António José Seguro, Luís Montenegro, André Ventura e José Luís Carneiro. Cada um deles, à sua maneira, é um vencedor e, porque venceram são os principais actores da vida política do país. Da mesma maneira, porque venceram e da forma como venceram, não sabem o que fazer com as respectivas vitórias. Vamos analisá-los um por um para confirmar que assim é.
António José Seguro foi eleito Presidente da República porque concorreu contra Ventura na segunda volta das presidenciais. A maioria dos votos que recebeu não foram nele nem no que ele quer para o país, mas para evitar que Ventura fosse presidente ou tivesse uma votação maior que a de Montenegro nas legislativas. Para passar à segunda volta, Seguro prometeu à esquerda não promulgar as alterações à lei laboral propostas pelo governo se não houvesse acordo com a UGT, ou seja, sem o aval da central sindical próxima do PS. Agora que as negociações se prolongaram e o governo deu sinais de estar pronto para fazer compromissos (Montenegro está nisto há muito tempo e pretende pressionar Seguro nesta matéria), o novo presidente já pondera promulgar a lei mesmo sem a concordância da UGT. Entretanto, e enquanto isso não sucede, pressiona os sindicalistas para que digam que sim. Não me vou deter no compromisso eleitoral que Seguro não estará a honrar se assim for. Simplesmente que, se Seguro promulgar a lei laboral sem o acordo da UGT, estará a alienar parte do seu eleitorado em troca de outro que só votou em si porque não havia melhor. Um eleitorado que só votará em si novamente se não tiver melhor em 2031. Ao mesmo tempo, se não promulgar o mais certo é que perca de vez o eleitorado da direita que votou em sim porque não havia melhor, além do conflito institucional que abre com Montenegro. Ou seja, e em conclusão, a lei laboral é o primeiro........
