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The Great Pretender

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12.04.2026

No início do mês o primeiro-ministro escreveu um artigo aqui no Observador com o título, “Dois anos a trabalhar pelo futuro de Portugal”. Se quisermos ser rigorosos, a frase não deixa de ser verdadeira porque óbvia e vazia de sentido. Na verdade, nada mais natural que um governo trabalhar para o futuro do seu país. É o mínimo dos mínimos, mas o primeiro-ministro orgulhasse disso como se fosse um feito que só o governo que dirige pode reclamar.

Mantendo o tom, o texto é uma sucessão de frases sem lógica, pouca ou nenhuma ligação entre si e de uma incoerência exasperante. Veja-se o que sucede logo no final do primeiro parágrafo que Luís Montenegro inicia com uma citação de Francisco Sá Carneiro, na qual este refere que “os Portugueses estão ansiosos por que se deixem os governantes de debate ideológico, de grandes discursos, para se aterem ao exercício singelo e discreto da sua função: trabalhar para resolver os problemas das pessoas, os problemas da nação”. Luís Montenegro pega nesta frase de Sá Carneiro e conclui que o mais natural é, não de forma singela e discreta resolver os problemas das pessoas, mas anunciar que o seu compromisso é transformar Portugal. Mais ideológico que isto é complicado, embora seja provável que Luís Montenegro não se tenha dado conta da incongruência. A falta de conformidade entre a ideia com que se inicia o parágrafo e aquela com que se termina leva-me a questionar........

© Observador